Acordei com a Xuxu saindo para o trabalho, não abri os olhos e contei a ela o meu sonho. Ela saiu, fechou a porta e depois de uns 15 minutos foi à vez da minha filha se movimentar em casa. Não vi a Ísis sair. Dormi até mais tarde. Ás 10 levantei, dei bom dia ao Pc, entrei na net. Enquanto conectava fiz um nescau e um sanduíche de queijo. Dei bom dia no msn para a Toalá, para a Fernanda e tentei dar bom dia ao editor, mas não achei ele. Liguei na editora, ele não estava. Conversei com a Toalá, rimos muito das histórias de nossas amigas e chegamos a conclusão de que se nós duas ficássemos o resto da vida em frente ao pc nossa vida seria também emocionante, porque muita gente nos conta histórias emocionantes e não tem como não viver essas histórias junto. Eu conto a ela as que me contam. Ela me conta as que contam a ela. Conversei com a Fernanda sobre o que ela vai dar de presente para a Sol, que ganhou bebê. Ela decidiu-se pelo mosqueteiro. Eu achei ótima idéia. Liguei para a Ana para pegar o endereço dela pela segunda vez e mandar o presente dela com dois meses de atraso pelo correio. Ela atendeu rindo, então me senti perdoada. Nisso a Sol me ligou, pediu para eu apanha-la no hospital. Corri me arrumar, fui pegar o estojo de sombras na gaveta de maquiagenm e não achei, fiquei brava, pensei que hoje á noite, em casa, cabeças iam rolar. Então esfriei e pensei “Ninguém é perfeito, seja lá qual das duas pegou o estojo e pos na bolsa sei de que apesar disso as duas são maravilhosas”. Fui para o hospital. subi no quarto, peguei o bebê no colo e disse: “Deixa que eu levo!” Desci com sacolas nos ombros e com um bebê FABULOSO nos braços. Pensei no fato de algum dia eu ser mãe novamente. A Sol me perguntou se ela estava muito horrorosa depois de sofrer 12 horas no parto normal e dar a luz a um bebê GG. Olhei para ela, desisti de ser mãe novamente, pensei no que dizer e falei: “Você tá ótima!”. Senti-me bem à beça mentindo. Coloquei bebê no banco de trás, beijei bastante, cheirei bastante, arrastei a Sol, que só reclamava dos pontos para dentro do carro, liguei Amy Wine House e fui em direção á casa da Sol. No caminho lembrei que era o último dia de entregar a minha documentação para a gerente do banco. Então deixei a Sol e o bebê no carro, corri na gerencia e descobri que minha gerente já foi um dia minha professora em um curso de controle e aproveitamento da mente, entreguei a documentação para ela e nisso me toquei que trouxe, na correria, por engano uma documentação que já estava no carro e que era da Xuxu. A gerente me convidou para fazer um curso de Eneagrama. Aceitei. Desci as escadas do banco pensando se era a hora certa de descobrir de verdade o meu lado black. Me convenci de que sempre é tempo de descobrir um pouco mais sobre a gente mesmo. Antes de chegar no carro entrei na farmácia, comprei um remédio para os pontos da Sol. Entrei no carro e decidimos juntas, antes de ir para casa dela, agendar o pediatra no posto. Dei o "presente" da Sol e ela ficou feliz. Chegamos no posto, desci primeiro, peguei o bebê, arrastei a Sol para fora do carro, entramos no posto de saúde e todo mundo queria ver o “nosso bebê”. Reencontrei duas amigas do tempo da faculdade que me perguntaram se eu não ia mesmo trabalhar na área. Cocei a testa, uma delas segurou a base do bebê achando que ele ia cair. Franzi a cara, pensei, concluí e respondi: “Não, acho que não.” Pensei em um bom motivo para ser enfermeira. Não encontrei nenhum. Pensei em um bom motivo para continuar sendo uma escritora. Achei vários. Voltamos para o carro, joguei a Sol lá dentro e pus o bebê no banco, beijei, fechei a porta, abri a porta novamente, cheirei, fechei a porta e sentei para dirigir. Liguei o ar quente, a Sol reclamou do calor. Desliguei e liguei ar frio. A Sol reclamou do frio. Desliguei e abri os vidros, a Sol reclamou do vento. Fechei os vidros e a Sol reclamou de fome. Liguei para a minha filha e mandei ela ir direito no restaurante perto de casa. Levei a Sol e o bebê no restaurante. Tirei os dois do carro, pus o bebê descansando em uma cadeira e fui me servir enquanto a Sol se servia e reclamava que o suco de laranja já tinha terminado. Enquanto isso a minha filha chegava e ria da Sol estar de pijama vermelho de bolinha branca e de casaco preto por cima. A Sol alegou que eu disse que ela estava ótima e que pelo menos ela tinha posto um tênis com o pijama. Comemos. Bebê dormiu o tempo todo. Perguntei a minha filha se ela por acaso tinha pego o estojo de maquiagem. Ela disse que não. Pirei mentalmente com a Japonesa. ENTÃO HAVIA SIDO ELA...ARÁÁÁÁ... Imaginei a Xuxu maltrapilha em uma cela medieval estendendo a mãozinha desesperada por um pedaço de pão enquanto eu aproximava a bacia sem deixar ela conseguir pegar e dizia: “Confessa-te arrependida japonesa? Prometas que nunca mais voltarás a pecar!!!”.
Paguei o almoço do bando todo. Agradeci pelo restaurante ser tão barato e pelo bebê ainda não almoçar fora. A Ísis me extorquiu como de costume no troco do almoço e comeu metade da minha sobremesa. Levei meu filho para o carro, despachei a mais velha para a casa da amiga dela e deixei a parturiente subir sozinha no carro. Beijei e cheirei o inocente. Dirigi abrindo o vidro, fechando vidro, ligando ar quente, desligando ar frio e ouvindo ai, ai, ai, ui, ui, ui. Meu celular tocou. Catei celular na bolsa, dirigi com uma mão e atendi com outra. Era a Fabiola, me convidando para ir á Nova Zelândia com ela em julho e ficar 3 meses na casa dela lá. Eu disse que não dava porque tinha acabado de ganhar bebê e ia lançar mais um livro em agosto. Mas falei da possibilidade de em setembro eu poder ir. Estava levando a Sol para casa quando ela resolve passar na amiga dela primeiro e pegar um dinheiro, troquei de rota, estacionei o carro na frente da casa da amiga dela, que desceu correndo e então conheci a Preta, uma outra garota de programa que muito já ajudou a Sol. Conversamos, o bebê continuou dormindo e decidimos ir para casa. Dirigi em direção á residência da Sol. Chegamos, peguei MEU FILHO INOCENTE E FABULOSO e coloquei na cama dela, comi as balinhas do Chá de fraldas da Sol, subi no carro e fui para a Br-101 comprar penduradores de pulseiras, de cintos e de sapatos para armário. No caminho encontrei um papeleiro do outro lado da rodovia. Lembrei que a minha filha tinha me separado uma sacola de meias para doar. Senti preguiça em ter de fazer a volta e atravessar a rodovia. Pensei em dar as meias para um papeleiro com crianças pelo caminho. Em milésimos de segundos “ouvi”: Você está com preguiça de ir ajudar só porque tem de fazer a volta de carro na rodovia? Só que quando você em suas orações pede que façamos as missões impossíveis ninguém aqui fica com preguiça de ser a tarefa do outro lado do planeta e a gente ter de atravessar o oceano.” Agradeci por Deus ser tão bom comigo, fiz a volta na rodovia, encostei ao lado do papeleiro, estendi a sacola de meias, catei o que eu tinha de troco que sobreviveu á minha filha e estendi pela janela. Ouvi o senhor de idade dizer que estava precisando muito de meias e que o dinheiro era bem vindo, porque na próxima semana ele iria se operar da hérnia e ia ter de parar de puxar a carroça que nem cavalo tinha. Saí de lá sendo abençoada por ele, me sentindo mais abençoada ainda por Deus e agradecendo EM ABSOLUTO TUDO O QUE HÁ NA MINHA VIDA, INCLUSIVE A JAPONESA.
Ahhhh, o que é um estojo de sombras em relação á uma amiga tão maravilhosa que acredita na gente? NADAAAAAAAAAAAAAA...
Comprei 6 penduradores de pulseiras, 6 penduradores de cinto, 3 penduradores de sapatos e resolvi vim para casa ver se tinha e-mail. No caminho peguei a Avenida Atlântica e vim olhando a praia. Então estacionei o carro, abri a janela negra coberta por insufilme para poder apreciar a cor do mar e, por um minuto pensei em alguém muito especial. Me perguntei se eu tinha motivos para continuar pensando. Nenhum. Então despensei. A vida continua. Liguei o carro e fui para casa. No caminho percebi que era quase hora do compromisso da minha filha, liguei para lhe lembrar do horário do psicólogo dela. Liguei 1 x, liguei 2 x, liguei 3 x. Nada. Pensei no que fazer para ensinar a ela responsabilidades com horários. Decidi que ela não sairia na sexta feira á noite, “ISSO, DE CASTIGO!!!!!! Então me senti uma tirana. Concluí que era um castigo sério demais por um esquecimento de horário. Pensei sobre a possibilidade de eu rever alguns valores meus e que eu havia me comprometido dias destes comigo mesma a não ser mais tão exigente com as outras pessoas. Cheguei em casa, abri meus e-mails, li sobre o editor do Peru me convidar novamente a voltar em Lima, na Feira do Livro Internacional em julho. Encaminhei a proposta dele ao meu editor no Brasil dizendo que por mim tudo bem. Então liguei 4x, 5x, 6x para a minha filha. Nada. Imaginei-me fazendo um fiasco grande no corredor do prédio enquanto ela caminhava encolhida de vergonha para dentro de casa ao ouvir meus berros: PORQUE VOCÊ NÃO ATENDE O CELULAAAAAAAAAR??????? SE VOCÊ NÃO ATENDE O CELULAR PORQUE TEM ELE?????????????? ME DÁÁÁÁÁ JÁ ESSE CELULARRRRRR!!!!!! DE CASTIGO SEM O CELULAR!!!!!! Daí voltei para a realidade, acordei e pensei que se eu fizesse isso ela ia pegar o chinelo e bater em mim. Desisti da idéia. Fiquei pensando que como mãe eu preciso ensinar antes de tudo disciplina. Imaginei o psicólogo dela me chamando para outra conversinha lá sobre minhas novas táticas militares. Então ela me ligou. Eu atendi: “Oi filha, tudo bem? Amor, não esquece o psicólogo, estamos em cima da hora, vem já pra casa que te dou uma carona até lá.” Desliguei o telefone e notei uma mensagem na minha secretária eletrônica de casa. Era do farmacêutico, me avisando que eu havia esquecido na Farmácia alguns documentos, entre eles o protocolo de passaporte de uma tal de Carine. Decidi buscar sem que a Xuxu soubesse que eu havia deixado lá, porque eu vivo pegando no pé dela que ela é esquecida demais. Medi o pendurador de pulseiras no armário e ficou ótimo, medi o pendurador de cintos no armário e ficou ótimo. Medi o pendurador de calçados no armários e não ficou ótimo. Liguei pra vendedora, combinei dela me fazer penduradores menores. Ela pediu que eu devolvesse os meus que ela faria menores. Peguei minha filha na portaria do prédio, entrei com ela na clínica, fui pagar a conta acumulada. Eu tinha em casa as sessões anotadas. A recepcionista calculou 60 reais a menos. Eu falei que estava errado, ela disse que estava certo. Eu estendi o dinheiro certo e saí. As vezes me odeio. Corri no correio por o presente da Ana e o contrato do editor. Encontrei a Helena na fila, que também está fazendo o curso do Eneagrama, ela me disse que vou me surpreender por me revirar do outro lado. Imaginei que ser eu iria tirar de dentro de mim. Um Alien? Só o que falta... Falamos sobre psicologia, comportamento e esoterismo.
A Sol me ligou, perguntando se eu não levava ela no posto para vacinar o Pedro. “Mas jáááaááá???” Então pensei que tinha de levar mesmo, porque "Deus u Livre" ser cúmplice de algum infortúnio em relação á saúde do FABULOSO. Peguei a Sol, o bebê e ouvi ela dizer que o remédio da farmácia tinha aliviado a dor nos pontos. Fiquei feliz. Fomos nós três antes levar meus penduradores de sapatos para a loja. Desci, combinei a data de pegar eles, voltei para o carro, vi a cena linda da Sol cuidando do bebê e então fomos para o posto. Vacinamos o Pedro e fizemos teste do pezinho. A Sol chorou junto com ele. Nessa hora eu fiz papel de macho e engoli a seco. No caminho lembrei que esqueci da filha no psicólogo. Antes deixei a Sol em casa para o Pedro mamar e fui pegar a filha mofada na clínica, combinei com a Ísis que eu deixaria ela em casa para ela comer e trocar de roupa, e a pegaria 18:45 para irmos á aula de espanhol. Então fui levar o carro para lavar a seco no estacionamento do shopping porque é mais rápido e enquanto isso fui sacar dinheiro para pagar uma conta amanhã, também corri até a farmácia pegar os documentos. Na volta passei na loja de chocolates e comprei 6 bombons de chocolate com Amarula. Comi todos, um atrás do outro. Pensei que quanto mais chocolate eu como melhor eu me sinto. Nisso a japonesa me liga para avisar que vai trabalhar até depois das 19 horas e que vamos nos atrasar para a aula de espanhol. Eu falei para ela avisar a professora. Vi uma estátua da Kwan Yin em uma loja e fiquei tentada para comprar. Contei mentalmente meu dinheiro e me lembrei de que preciso economizar. Peguei o carro, aprovei a lavação á seco e por fim decidi não ir á aula de espanhol. Liguei para a minha filha e perguntei o que ela achava de comer um calzone. Ela topou, me pediu um de camarão e uma salada de frutas com leite condensado. Depois liguei para a Xuxu e perguntei que calzone ela queria. Ela queria um Calzone turbinado. Típico...
Enquanto eu voltava para a casa vim pensando na vida, no que estamos fazendo aqui senão tentarmos ser pessoas bem melhores, também cogitei uma reunião caseira para acertarmos que eu não posso ser a agenda eletrônica de lembrete de compromisso de ninguém e muito menos a dona de maquiagens que somem. Mas também pensei na dificuldade que alguns têm por conviverem comigo muito de pertinho. E pensei que eu estava virando uma chata em casa por todo dia brigar por uma coisinha aqui e outra ali. Também pensei que meus leitores nunca imaginam que tem um lado meu muito dificultoso de se lidar. Que esse lado pode até ter suas vantagens, mas que também tem seus agouros e em alguns casos eles pesam mais. É, eu pego no pé direto com coisas fora do lugar (sou muito chata nisso), bato na tecla que eu não gosto que as coisas sejam perdidas (nesse inverno doei a bota que eu usei por 15 anos, meuuuuuuu, por 15 ano eu tive a mesma bota de inverno, porque eu cuido das minhas coisas e penso que a minha filha e a Xuxu – que não deixa de ser uma outra espécie de filha - deveriam fazer a mesma coisa). É também difícil de conviver muito de pertinho comigo porque eu dificilmente mudo de idéia (Se eu estiver convicta ai, ai, ai, pode se descabelar na minha frente que não tem jeito...) e que por vezes falo aquilo que as pessoas querem continuar abafando para não ter de enfrentar, mas que isso não me dá o direito de tocar nas feridas dos outros.
Parei na Atlântica e fiquei a pensar um pouco mais. Concluí que cabeças não iam mais rolar hoje á noite.
A Xuxu me ligou dizendo que o ônibus estava chegando na esquina de casa e perguntando se eu ia demorar para vim. Eu falei 5 minutinhos mais. Retomei meus pensamentos: E o que é um atraso no horário ou um estojo de sombras perto do que as vezes eu faço com elas????
Liguei o carro, fui em silêncio, subi as escadas, disse para elas comerem enquanto estava quentinho. Assisti um filme legal que não sei o nome com a Xuxu e a Ísis, depois conversei com a minha filha sobre um garoto e confesso que devido ao meu cansaço dei conselhos medianos. Vim para o pc escrever um e-mail para o editor não me depositar em cheque porque senão leva 5 dias úteis de SP para cá e isso "me mata". E decidi escrever esse post. Na metade a Xuxus veio aqui me dar um abraço e dizer que tinha adorado o pijama apeluciado que eu trouxe para ela, depois veio a minha filha perguntando se ela podia trocar o que eu tinha dado para ela pelo meu, consenti. Ela também sentou do meu lado para me fazer rir com o humor contagiante dela e as aprontações na sala de aula. Amanhã todo mundo decidiu ir de pantufa pra escola. Também pediu para catar mais umas moedinhas na minha bolsa, e então eu decidi ser direta no assunto: De quanto dinheiro você está precisando e para o que é? E ela nem piscou: De um milhão para ser feliz!
As duas depois de um tempo apagaram a luz e se entregaram para Jesus, enquanto eu continuei na sala fazendo meu trabalho no blog e nos livros. Hoje pelo jeito vou a madrugada toda por aqui.
Bem, e esse foi o meu dia...